14 de julho de 2014

Um mercado de trabalho "encolhido"

O relatório de 2013 sobre a evolução do emprego a nível mundial publicado pela Organização Internacional do Trabalho conclui que pela primeira vez desde que esta organização analisa a relação entre o crescimento económico e a criação de emprego não se verifica uma relação direta entre estas duas dimensões. Ou seja, enquanto premissa científica é colocada em causa a teoria económica segundo a qual a criação de emprego seria sempre uma consequência do crescimento económico.
Isto foi verdade, sempre que ao crescimento económico estava associado o desenvolvimento de atividades produtivas baseados em relações económicas sobre bens transacionáveis, mas a profunda alteração dos sistemas de produção e a crescente importância das transações financeiras como parte importante das economias nacionais altera profundamente a lógica estabelecida.
Os serviços financeiros enquanto componente económica fundamental dos sistemas capitalistas modernos influencia de modo decisivo a variável crescimento económico sem que a isso corresponda necessariamente mais ou melhores empregos.
De facto, o que se verifica em termos mundiais é que nos países mais desenvolvidos a componente de criação de emprego está praticamente estagnada, nomeadamente na maioria dos países da União Europeia.
Contrariar esta tendência implica opções e medidas de política pública corajosas que valorizem o fator trabalho em detrimento do fator capital. O modelo social europeu não sobreviverá se o mercado de trabalho continuar a encolher ao ritmo a que se tem assistido. Será essa a única opção para a Europa após 60 anos de desenvolvimento e progresso?

Esta opção gerará o maior retrocesso nas políticas sociais que os países europeus jamais presenciaram desde a II Guerra Mundial. Serão então as desigualdades sociais "sustentáveis"?


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