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29 de outubro de 2011

Quem ama, cuida

O Caetano Veloso tem na letra de uma das suas muitas canções esta frase: Quem ama, cuida.
Foi a partir dela que me inspirei para fazer este post.

Não, não vou escrever algo sobre uma paixão recente, uma história romântica de um casal apaixonado, mas antes uma provocação sobre as relações estabelecidas entre os cidadãos e os bens públicos.

Portugal anda a ser muito maltratado. As marcas desses maus-tratos são muito visíveis no espaço público. As nossas ruas, os nossos jardins, os nossos hospitais e centros de sáude, as nossas escolas, as nossas universidades, os nossos quartéis, as nossas praias, as nossas florestas, os nossos parques naturais, os nossos rios, as nossas 'coisas públicas' estão cada vez mais maltratadas, descuidadas, reflectindo um espírito desrespeitoso e violento que se instalou na nossa sociedade sem que o conseguíssemos contrariar.

O lixo que se acumula, os pseudo-grafittis (não os verdadeiros, que são uma expressão interessantíssima de arte urbana), os equipamentos que não funcionam meses a fio sem que haja alguém que os conserte, as calçadas levantadas e os buracos nos pavimentos, as praias sujas, as casas abandonadas, a desordem instalada na arrumação dos bens públicos veio mostrando que o povo português não cuida do seu país. E não, não é apenas um dever das instituições públicas fazê-lo! É um dever de todos!

Quem ama, cuida! Se efectivamente apreciássemos as fantásticas coisas que nos rodeiam no nosso país e que todos podemos usufruir ainda sem grandes custos, cuidariamos delas com gestos delicados, rotineiros... não nos permitiriamos passar ao lado de lixo espalhado pelo chão e não o devolvermos a um recipiente a ele dedicado, não deixaríamos as beatas na areia das nossas fantásticas praias, não utilizaríamos os equipamentos públicos como nunca o fazemos com os nossos equipamentos privados e domésticos (o célebre atirar de objectos pela janela do carro é a caricatura máxima desta ideia).

Os países mais desenvolvidos encontraram formas de utilização do espaço público mais respeitosas e carinhosas. Entendem o bem público como sendo um pouco propriedade de todos, e por isso fica mais fácil cuidar, já que todos têm a responsabilidade partilhada de o fazer...  Esse deveria ser o entendimento: todos nós temos um bocadinho dos bens públicos e por isso mesmo deveríamos tratá-los como nossos, amando-os e cuidando deles.

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