27 de março de 2011

É possível, trinta anos depois, uma alternativa à esquerda?

Estamos em plena crise política! Na última década de tão usada a palavra crise deixou de ter conteúdo preciso. Trata-se agora de um adjectivo para qualquer situação e perdeu por isso o seu sentido de gravidade. Mas, efectivamente, neste momento Portugal e a União Europeia (embora nem todos os países da mesma forma) sofrem a maior crise desde a segunda-guerra mundial.
A crise da insolvência financeira!

Em Portugal, e desprezando os escassos recursos financeiros (pagos a peso de ouro em cada emissão de dívida bem sucedida) que por agora ainda dispúnhamos, inciámos um período de enorme turbulência política. A metáfora aérea é realmente a que melhor se adequa quando perante os nossos futuros se constrói mais do que provável um cenário de despenhamento.

Vamos todos despenhar-nos mas com a insustentável leveza de quem concretiza uma mudança. O Primeiro-ministro em funções exagerou, é verdade! Exagerou no disfarçe da situação, nos gastos supérfluos, no jogo político, na desatenção às finanças públicas e às consequências do seu descalabro, nos compromissos estabelecidos internacionalmente sem consultar devidamente os órgãos de soberania nacionais, entre outros exageros... mas o que se avizinha, por agora, é muito pior!

A disfarçes e zigue-zagues todos os políticos cedem, mas em democracia (palavra tão usada por estes dias) um povo informado, esclarecido e qualificado pode tomar decisões racionais e que não sejam apenas hirper-reacções ao contexto e à cirscunstância.

As alternativas políticas para as próximas eleições legislativas antecipadas são claras.

Em primeiro lugar terá de existir uma maioria parlamentar, venha ela de onde vier!

E, neste contexto, os apelos ao bloco central numa configuração parlamentar dominada pela direita, seria o cenário mais vantajoso para quem prentede fazer mudanças monstruosas sem oposição veemente. O segundo cenário é uma maioria absoluta do PSD, fazendo regressar mais um D. Sebastiao (cavaquista), com alguns dos seus mais leais seguidores, como é o caso do Prof. Eduardo Catroga, já alinhado para próximo Ministro das Finanças (novamente!).

Ninguém discute como que por medo a possibilidade da esquerda reunir essa maioria parlamentar e de uma vez por todas encerrarmos diferenças ideológicas ultrapassadas pela mudança social e geo-política, nomeadamente numa Europa que tanto precisa de ESQUERDA!

Esta é uma alternativa, a meu ver, a que o PS deveria dar alguma atenção... pelo menos, num primeiro momento, iniciando um conjunto de conversas para ver se conseguem estar de acordo nalguns pontos fundamentais, sem colocar em causa a economia de mercado, a integração europeia ou o regime democráctico.

Que estranheza me causa a ideia de existir um PS que mais facilmente se revê num programa de  exterma-direita do que num de esquerda pragmática de matriz socialista.

Por uma alternativa de esquerda, vale a pena pensar bem antes de votar!

Sem comentários:

Enviar um comentário