Paulo Portas é acima de tudo um "marketeiro"! No programa "Temos uma pergunta para si", ontem, na TVI, em plena pré-campanha para as eleições legislativas de 2015 transmitiu à exaustão a mensagem política eleitoral da coligação Portugal à Frente (PAF).
A mensagem é simples, e por isso de fácil compreensão, especialmente concebida para atingir um eleitorado menos atento, menos qualificado e também menos preparado para analisar mensagens de maior complexidade e exigência.
Ora vejamos: 1º. regresso à primavera de 2011; 2º. insistência no risco de "bancarrota" iminente deixado pelo governo PS; 3º. assistência internacional à força para pagar "salários e pensões"; 4º. governação sob "protectorado" permanentemente recusado pela coligação; 5º. afirmação continuada e comparativa de que "Portugal não é a Grécia"; 6º. o país agora está no caminho certo - economia cresce, desemprego diminui, exportações disparam...
Foram 90 minutos de pura propaganda política, com Portas no seu melhor! Mas no caso dele, quanto melhor, pior! E assim foi.
Comecemos, então, por desmontar cada uma das premissas.
A conveniência do regresso a 2011. Lembrar Sócrates, o seu governo, o seu legado, as consequências de uma governação, segundo a coligação, sem rigor financeiro nem responsabilidade colectiva. O argumento certo para afirmar que votar PS novamente significa regressar ao passado, ao despesismo, ao facilitismo, à asfixia democrática, e por aí fora. Marcando temporalmente 2011 como o ano de comparação, a permanente evocação de Sócrates está garantida, mesmo que a ele pessoalmente, não se possam referir durante a campanha.
O papão da "bancarrota". Em 2011, o risco existente nos mercados financeiros que condicionava por essa altura o financiamento da economia e do Estado português, assentava numa dívida pública a rondar os 90% e um crescimento em redor de 1% do PIB, em decréscimo para uma recessão consequência das medidas de austeridade já implementadas. Hoje, a dívida pública é cerca de 40 pontos percentuais acima do valor de 2011, e o crescimento económico aproxima-se timidamente de 1,5% do PIB. Passou o risco a ser significativamente menor? Não! O que passou a existir foi uma operação de compra de dívida dos países da UE por parte do BCE que permite uma percepção de risco diferente. A bancarrota que paira sobre as nossas finanças públicas é superior, dado o volume de dívida pública e a contração da capacidade dos agentes económicos nos últimos anos. Se o BCE suspendesse as suas operações de financiamento dos Estados-membros, a ilusão dos "cofres cheios" e do "défice controlado" passaria a uma negra confrontação com a triste realidade de um estado mais pobre, menos capaz e mais dependente.
Os salários e pensões que ficariam por pagar, escondem os milhões transferidos directamente para o sistema financeiro. Até a Grécia, continua a pagar salários e pensões, após três resgates financeiros e o eminente colapso do sistema político.
Governar com a troika era o paraíso prometido pela coligação PSD/CDS quando em campanha eleitoral para as legislativas de 2011. O Memorando de Entendimento foi negociado com os dois partidos sentados à mesa das negociações e celebrado com "usies" de apertos de mão na sala de reuniões da casa de Eduardo Catroga. Recusar agora as medidas constantes no memorando como se de um xarope amargo se tratasse, o qual foram forçados a engolir, é a mais conveniente das falsidades, e só Paulo Portas o poderia fazer de forma tão cinicamente "irrevogável".
A comparação entre Portugal e a Grécia serviu sempre o propósito de "dividir para reinar". Se, Portugal não é a Grécia, muito custou aos países do Sul essa desunião, face a uma Europa dividida por preconceitos mais ou menos vagos entre os "povos do Sul" e os "povos do Norte". Portugal é a Grécia, Grécia é Portugal, e no contexto de uma União Europeia forte, todos os países são Europa. Esse sim, é o caminho certo e não o da acusação mútua para fazer crescer uma divisão artificial entre um "nós" e "eles" que acarreta consigo a destruição dos princípios fundadores de solidariedade e coesão constantes nos tratados.
E, finalmente, a "boa nova". Tudo está bem, quando acaba bem, e os salvadores devem ser recompensados. Tudo flui positivamente! "Os dados são do INE, não são do governo! Dei sempre o meu melhor em favor do meu país!" Tudo palavras proferidas ontem por Paulo Portas. Os 300 mil a menos na população activa? Não existem! O emprego recuperou 120 mil postos de trabalho! As exportações atingiram 43% do PIB, a preços constantes, dados do INE, sempre! Resultado da diplomacia económica... mas, desculpem-me não fui eu que inventei o conceito!! Como, Dr. Portas? Não foi capaz? Um estratega das relações internacionais...
Os estágios que o PS quer acabar! Não, Dr. Portas, o PS não quer acabar com os estágios. Quer, sim, acabar com os estágios não remunerados que contribuem para modelos de relações laborais desadequadas numa sociedade desenvolvida e numa economia de mercado.
E a economia? A economia cresce...
E o Senhor, Dr. Paulo Portas, qual foi o seu papel nesta maravilhosa transformação de Portugal numa país mais pobre, com menos exigência cidadã, com menos oportunidades, mais desigual, mais envelhecido e mais frágil perante as grande potências europeias?
"Eu, eu? orgulho-me muito de ter sido o Oliveira da Figueira!!!"
Obrigada, Dr. Portas, mas vendedores de banha da cobra já não são necessários. A tempestade foi mesma séria e ninguém tinha dinheiro para comprar os seus guardas-chuva no meio do deserto...
Espero, sinceramente, que a próxima demissão seja mesmo irrevogável!
É preciso assinar as palavras que se escrevem, que se dizem, que se reclamam nossas. Palavras Assinadas é um blogue para todos os bloguers discutirem os temas responsabilizando-se pelas opiniões emitidas. Venham as ideias e os contributos.
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4 de setembro de 2015
6 de julho de 2014
Porque os políticos não são todos iguais!
11.
E não, não é
uma cisão interna no Partido Socialista, como muitos querem fazer crer. É sim
uma prova inequívoca de liberdade partidária no interior de um dos maiores
partidos portugueses. Sim, são poucas, muito poucas, infelizmente, as
instituições que quatro décadas após o 25 de abril, conseguem promover e operar
num quadro democrático de ação coletiva e liberdade individual. No caso da
atual disputa pela liderança do PS, assistimos apenas (e bem!) ao reavivar dos
valores e princípios fundamentais pelos quais este partido sempre guiou o seu
desenvolvimento e diferentes sucessões. Podia ter sido de outra maneira? Podia,
mas para isso teríamos de contar com um líder disponível para o confronto em pé
de igualdade em Congresso, imediatamente após o anúncio da disponibilidade de
António Costa para lutar por esse lugar. Infelizmente, tal não aconteceu. Mas,
ainda assim, a disputa democrática continua viva!
22.
E não, não é
uma questão de personalidades, entre o atual líder e o candidato a líder. É sim
uma questão de carisma! Em todas as escolas de gestão por esse mundo fora,
aprende-se e trabalha-se as questões da liderança como elementos fundamentais
dos processos de gestão. A questão central é a de que um líder tem de ser
carismático. Liderar é partilhar estratégias, objetivos, ações, incluindo os
outros (colegas e subordinados) nos diferentes níveis, e sem imposições
autoritárias e autocráticas (muito menos burocráticas), contribuindo para um
sentido comum, organizacional, económico, político, social… Em política, o
melhor dos ‘carismómetros’ é o processo de eleições. O atual líder afirma que
venceu duas eleições (sim, é um facto), mas fê-lo por tão pequena margem que
demonstra bem a sua (in)capacidade de liderança (e sim, também por causa da sua
falta de carisma junto dos portugueses e portuguesas, e até mesmo, dos
eleitores do PS, como ficou provado nas eleições para o Parlamento Europeu
deste ano). Por outro lado, é verdade que António Costa nunca foi a votos em
campanhas nacionais, e conta também no seu currículo com algumas derrotas
locais, mas as últimas eleições autárquicas mostram bem como esmagadoramente
venceu a candidatura alternativa de Fernando Seara, com mais de 50% dos votos…
o mesmo não conseguiu fazer António José Seguro após três anos de austeridade
sobre a população portuguesa e contra a alternativa proposta pelo PSD/CDS
juntos! Não é por falar mais alto, mais grosso ou com uma pose simbolicamente
mais poderosa que se cria um líder! Um líder atrai, reúne apoios, congrega
vontades, e atua eficiente e eficazmente quando tal lhe é solicitado,
mostrando-se aberto à luta e ao confronto democrático.
33.
E não, “eles
não são todos iguais”! Recuso-me a alinhar com esta frase batida da vox populi e de alguns agentes da
comunicação social, tentando enfatizar a falta de elementos distintivos entre
partidos, candidatos, propostas, medidas. Sim, a política é diferença de
opiniões, de propostas, de visões sobre o mundo e a sua capacidade de nele intervir.
A política é confronto democrático, consubstanciado na exposição de ideias, na
recolha de apoios, na capacidade de argumentação e de intervenção, na
constituição de equipas capazes, entre outros elementos. António José Seguro e
António Costa pertencem ao mesmo partido há décadas, comungam dos mesmos
princípios e valores do socialismo democrático, ou da social-democracia, como
preferiram, nos quais se fundaram os partidos socialistas europeus. Alguém
esperava sinceramente que os temas em discussão fossem profundamente
diferentes, que as ideias em discussão fossem radicalmente opostas, que o
confronto entre ambos fosse uma espécie de confronto entre ideologias de
esquerda e de direita? Esse é apenas um argumento artificial para contribuir
para a ideia que “os políticos são todos
iguais” e assim mesmo afastando cada vez mais os cidadãos da luta política,
plural e democrática.
44. E não, não
estão a apresentar as mesmas propostas. Os temas em discussão são os mesmos,
sim, mas os programas de ambos são efetivamente diferentes.
António
José Seguro assume a proposta de um modelo de desenvolvimento económico 4.0,
uma espécie de ‘choque tecnológico’ reciclado, com o apoio da estratégia de
desenvolvimento económico alemão. Apostar na produção de bens e serviços com base
na internet, sofisticados e inovadores, que requerem um tecido económico
moderno, tecnologicamente avançado e qualificações avançadas. Quarenta medidas
consubstanciam este programa de políticas públicas.
António
Costa opta por capacitar Portugal, os seus recursos humanos e naturais
para que possam ser colocados ao serviço de um modelo de desenvolvimento
económico e social mais coeso, mais solidário e mais inovador, não apenas
pensando nas estruturas produtivas ligadas às tecnologias de informação e comunicação,
mas tendo um olhar mais abrangente sobre a economia e a sociedade… mais
inclusivo, também, no contexto de uma União Europeia alargada e com elementos
de política económica e monetária comuns! Modernizar a administração pública e
qualificar as pessoas e as instituições são âncoras para um novo ciclo de
crescimento económico e progresso social.
Não
entrarei nos detalhes de ambas as propostas, mas convinha que o(a)s jornalistas
o fizessem, em vez de alimentar os romances cor de rosa que eventualmente dariam
belas capas de revistas da sociedade, mas que em nada contribuem para o debate
político em curso.
55. E não, não
sou militante do Partido Socialista. E sim, sou “simpatizante” das suas
políticas e das suas propostas de governo, em alternativa a um governo de
direita. Mas não cumpro todos os requisitos para me poder inscrever e assinar a
declaração sob compromisso de honra que me autorizaria a participar nesta
disputa pela liderança do PS, por isso ficarei de fora a assistir…
Talvez,
esta reflexão contribua de algum modo para a discussão!
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António Costa,
António José Seguro,
Partido Socialista
30 de setembro de 2013
O "Usurpador", o "Prudente" e o "Conquistador"
Ontem não pude votar! Foi uma das muito poucas vezes em que não exerci esse direito tão importante para mim. E com muita pena!
Sou das que considero que o voto é um poder inalienável dos cidadãos, principalmente para as mulheres, símbolo de igualdade de oportunidades e das sociedades democráticas. E, portanto, símbolo máximo da igualdade entre as pessoas (1 pessoa=1 voto). Mas, não fui votar, não porque quisesse, mas porque não pude! Não estando a viver em Portugal, as eleições autárquicas não contam para os expatriados, emigrantes, etc. E por isso também nós não podemos contar para esta importante decisão. Talvez a revisão da lei eleitoral solicitada pelo Sr. Presidente da República se devesse dedicar também a este assunto dado o número de pessoas que estão atualmente a trabalhar fora do país.
No entanto, acompanhei a "Noite Eleitoral" (epíteto mediático da cobertura jornalística feita aos atos eleitorais em tempos de 'sociedade da informação'), e nela os discursos de vitória (alguns muito pouco entusiasmantes e pouco esperançosos, outros mesmo, demonstrativos do rancor acumulado e das pequenas vinganças), e os de derrota (dos que nunca deveriam ter sido sequer escolhidos pelos partidos políticos pela sua falta de qualidade intelectual e capacidade argumentativa ou dos que cabisbaixos afirmavam que o que importa são os combates, não as vitórias).
Esperei - embora o fuso horário me exigisse um pouco mais de resistência física do que aos meus concidadãos residentes em Portugal - pelos três discursos, a meu ver, mais importantes, dado que neles se joga(rá) o presente e o futuro do nosso país: o de Pedro Passos Coelho, o de António José Seguro e o de António Costa.
E não posso deixar de fazer uma analogia "histórica" com cada um deles. Se hoje se discutissem cognomes para os nossos líderes, estaríamos, na minha opinião, perante o Usurpador, o Prudente e o Conquistador.
Pedro Passos Coelho no seu cada vez mais estilo linguístico próprio (que tanto deve à língua portuguesa) reinventou tempos verbais e utilizou mais uns quantos neologismos para afirmar a sua derrota e do seu partido. Mas... quem sai derrotado, em princípio reconhece os erros, reconsidera as suas posições, avalia as suas acções... Pois bem! O Primeiro-Ministro acha que não! Acha que deve continuar em frente porque as suas opções político-ideológicas é que estao certas! As pessoas votaram - uns melhor informados, outros menos, com certeza - mas disseram-lhe (a ele e ao seu governo) veementemente que nao queriam que este fosse o caminho. E???!!! Usurpando a sua condição de estar no poder - hoje já não representado pela mesma base eleitoral do que quando foi eleito, como estas próprias eleições o demonstraram - sentenciou: Vamos continuar como até aqui! A ele só se poderia aplicar o mesmo cognome de D. Miguel I, o Usurpador. Continua, continuará, continuará...
E logo de seguida, surgiu António José Seguro, facis grave, semblante carregado. Anunciou a vitória histórica do Partido Socialista em modo enlutado. Falou de sofrimento, de dor, de angústia, de desespero... enfim, fez o que muitos chamam de 'apelar ao coração' dos portugueses. Se não convençe os eleitores de outro modo, vai tentar esta abordagem lamechas que (pensa ele) o tornará no amigo a quem nos queixamos e com quem partilhamos as nossas desilusões e angústias. Vale a pena rever o vídeo do episódio de campanha em Castelo Branco, em que uma professora-reformada em desespero chora convulsivamente abraçada ao Tó Zé...
Seguro? Nem tanto, talvez mais adequado, seja atribuir-lhe o cognome de O Prudente! Sabendo que no interior do PS os ventos começarão a mudar e que os 51% rapidamente começarão a ser comparados com os 37%, haja prudência que o aguente como líder.
E pelo meio, surgiu António Costa, no ALTIS, na sala apinhada de militantes e simpatizantes para celebrar as vitórias socialistas, a relembrar outras tantas "noites eleitorais". O Conquistador da maioria absoluta em Lisboa mais expressiva de sempre, da Assembleia Municipal, da maioria das freguesias, e quem sabe do que mais virá por aí...
Perguntaram-lhe se ia ficar na Câmara Municipal de Lisboa pelo período do mandato para que foi eleito. E ele respondeu à jornalista, "Sabe se estará na mesma estação de TV daqui a um ano?", ou seja, traduzindo do politiquês, significa "Eu estou disponível para todas as outras conquistas que forem necessárias". A primeira batalha foi ontem, e saiu vencedor. As próximas batalhas avizinham-se duras, intestinas, e por isso muito mobilizadoras... mas o sorriso infantil do A. Costa a tentar disfarçar a sua grande alegria com a possibilidade de poder vir a ser algo mais, no partido e no país, revelou mais do que ele provavelmente queria dizer com as suas palavras atiradas em jeito de brincadeira!
Para começo, terá apenas que repetir os 51-52% da maioria absoluta, mas desta vez dentro do PS. Há certamente uma esperança renovada depois da noite de ontem...
PS - Durante quase dois anos não fiz um único post sobre política ou outros assuntos sérios. Hoje respiro melhor...!!!
Sou das que considero que o voto é um poder inalienável dos cidadãos, principalmente para as mulheres, símbolo de igualdade de oportunidades e das sociedades democráticas. E, portanto, símbolo máximo da igualdade entre as pessoas (1 pessoa=1 voto). Mas, não fui votar, não porque quisesse, mas porque não pude! Não estando a viver em Portugal, as eleições autárquicas não contam para os expatriados, emigrantes, etc. E por isso também nós não podemos contar para esta importante decisão. Talvez a revisão da lei eleitoral solicitada pelo Sr. Presidente da República se devesse dedicar também a este assunto dado o número de pessoas que estão atualmente a trabalhar fora do país.
No entanto, acompanhei a "Noite Eleitoral" (epíteto mediático da cobertura jornalística feita aos atos eleitorais em tempos de 'sociedade da informação'), e nela os discursos de vitória (alguns muito pouco entusiasmantes e pouco esperançosos, outros mesmo, demonstrativos do rancor acumulado e das pequenas vinganças), e os de derrota (dos que nunca deveriam ter sido sequer escolhidos pelos partidos políticos pela sua falta de qualidade intelectual e capacidade argumentativa ou dos que cabisbaixos afirmavam que o que importa são os combates, não as vitórias).
Esperei - embora o fuso horário me exigisse um pouco mais de resistência física do que aos meus concidadãos residentes em Portugal - pelos três discursos, a meu ver, mais importantes, dado que neles se joga(rá) o presente e o futuro do nosso país: o de Pedro Passos Coelho, o de António José Seguro e o de António Costa.
E não posso deixar de fazer uma analogia "histórica" com cada um deles. Se hoje se discutissem cognomes para os nossos líderes, estaríamos, na minha opinião, perante o Usurpador, o Prudente e o Conquistador.
Pedro Passos Coelho no seu cada vez mais estilo linguístico próprio (que tanto deve à língua portuguesa) reinventou tempos verbais e utilizou mais uns quantos neologismos para afirmar a sua derrota e do seu partido. Mas... quem sai derrotado, em princípio reconhece os erros, reconsidera as suas posições, avalia as suas acções... Pois bem! O Primeiro-Ministro acha que não! Acha que deve continuar em frente porque as suas opções político-ideológicas é que estao certas! As pessoas votaram - uns melhor informados, outros menos, com certeza - mas disseram-lhe (a ele e ao seu governo) veementemente que nao queriam que este fosse o caminho. E???!!! Usurpando a sua condição de estar no poder - hoje já não representado pela mesma base eleitoral do que quando foi eleito, como estas próprias eleições o demonstraram - sentenciou: Vamos continuar como até aqui! A ele só se poderia aplicar o mesmo cognome de D. Miguel I, o Usurpador. Continua, continuará, continuará...
E logo de seguida, surgiu António José Seguro, facis grave, semblante carregado. Anunciou a vitória histórica do Partido Socialista em modo enlutado. Falou de sofrimento, de dor, de angústia, de desespero... enfim, fez o que muitos chamam de 'apelar ao coração' dos portugueses. Se não convençe os eleitores de outro modo, vai tentar esta abordagem lamechas que (pensa ele) o tornará no amigo a quem nos queixamos e com quem partilhamos as nossas desilusões e angústias. Vale a pena rever o vídeo do episódio de campanha em Castelo Branco, em que uma professora-reformada em desespero chora convulsivamente abraçada ao Tó Zé...
Seguro? Nem tanto, talvez mais adequado, seja atribuir-lhe o cognome de O Prudente! Sabendo que no interior do PS os ventos começarão a mudar e que os 51% rapidamente começarão a ser comparados com os 37%, haja prudência que o aguente como líder.
E pelo meio, surgiu António Costa, no ALTIS, na sala apinhada de militantes e simpatizantes para celebrar as vitórias socialistas, a relembrar outras tantas "noites eleitorais". O Conquistador da maioria absoluta em Lisboa mais expressiva de sempre, da Assembleia Municipal, da maioria das freguesias, e quem sabe do que mais virá por aí...
Perguntaram-lhe se ia ficar na Câmara Municipal de Lisboa pelo período do mandato para que foi eleito. E ele respondeu à jornalista, "Sabe se estará na mesma estação de TV daqui a um ano?", ou seja, traduzindo do politiquês, significa "Eu estou disponível para todas as outras conquistas que forem necessárias". A primeira batalha foi ontem, e saiu vencedor. As próximas batalhas avizinham-se duras, intestinas, e por isso muito mobilizadoras... mas o sorriso infantil do A. Costa a tentar disfarçar a sua grande alegria com a possibilidade de poder vir a ser algo mais, no partido e no país, revelou mais do que ele provavelmente queria dizer com as suas palavras atiradas em jeito de brincadeira!
Para começo, terá apenas que repetir os 51-52% da maioria absoluta, mas desta vez dentro do PS. Há certamente uma esperança renovada depois da noite de ontem...
PS - Durante quase dois anos não fiz um único post sobre política ou outros assuntos sérios. Hoje respiro melhor...!!!
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