Passaram-se quatro meses e duas semanas e aí está o novo plano de austeridade! Há quem afirme que o FMI não faria melhor, outros afirmam que o Governo tem de explicar o que se passou para que o primeiro plano apresentado em Maio tenha falhado, outros ainda acham mesmo que agora temos é de seguir em frente, aprovar o orçamento e aguardar que os mercados estabilizem e que a despesa começe a baixar...
Há posições para todos os gostos como seria de esperar numa sociedade plural, democrática, aberta.
Mas exactamente por este mesmo conjunto de atributos da nossa vida colectiva merecíamos todos que se fizesse a avaliação clara do que aconteceu.
O orçamento de estado e as despesas públicas têm uma estrutura própria, conteúdos próprios e lógicas de contabilidade e contabilização próprias, mas não se trata concerteza de princípios de funcionamento esotéricos, para que só alguns os consigam entender, sendo os restantes tratados como uma massa amorfa a quem se pode 'dar' ou 'tirar' recursos financeiros consoante a onda em que se está.
Parece-me que este é um péssimo princípio para lidar com as pessoas num regime democrático. Pois é, as pessoas! Existem pelo menos uns 10 milhões desses espécimes que não sendo financeiros (ou monetários) parece que os governantes têm cada vez mais dificuldade em lidar com eles, em falar-lhes e em compreender as suas (também muito importantes) condicionantes.
As pessoas são os pensionistas que sobrevivem a custo com 300, 400, 500 euros por mês num país que tem um custo de vida muito acima das possibilidades da maioria que nele vive, trabalha ou simplesmente sobrevive. As pessoas são os trabalhadores do famigerado salário mínimo (ainda não chega a 500 euros) e dos salários médios (700 euros) que têm filhos a quem querem legitimamente garantir um futuro melhor, com mais possibilidades de realização pessoal e profissional, com mais equidade e que, para isso, trabalham (ou trabalharam) duramente. As pessoas são os funcionários públicos (da dita classe média) que ganham mais de 1500 euros por mês e que sem que tenham produzido menos, tido pior desempenho, atingido menos resultados vão todos ver (de modo cego, pois só assim se consegue ver a despesa descer) os seus salários mensais reduzidos. As pessoas são também os mais pobres e excluídos a quem o estado achou por bem, em tempos idos, apoiá-los para melhor se integrarem socialmente, contribuindo assim de modo decisivo para a redução da pobreza e exclusão social. As pessoas são os empresários que, paradoxalmente, vão pagar salários menores (porque a redução salarial na administração pública vai ter impactos no sector privado, indiscutivelmente, mesmo quando o estado nele não intervém directamente) o que poderia contribuir para aumentar 'artificialmente' a produtividade e a competitividade, mas ao mesmo tempo vão ver a sua capacidade de concorrência no mercado global cada vez mais comprometida, ao ter de agravar em 2% o custo dos seus produtos.
Às pessoas deve-se pelo menos uma clara explicação do que se passou, do que se está a passar e do que se passará no nosso futuro colectivo. Como se diz num tom mais coloquial: às pessoas deve-se, pelo menos, uma satisfação. Já que alguns parecem agora satisfeitos com o que acabaram de anunciar.
Tempos erráticos, estes! As pessoas... as pessoas parece que deixaram de ter importância!
É preciso assinar as palavras que se escrevem, que se dizem, que se reclamam nossas. Palavras Assinadas é um blogue para todos os bloguers discutirem os temas responsabilizando-se pelas opiniões emitidas. Venham as ideias e os contributos.
3 de outubro de 2010
13 de maio de 2010
É possível gerir (n)a administração pública?
Hoje, 13 de Maio, 21h30, estamos todos a tentar digerir o plano de austeridade, versão 13.05.2010, e a tentar perceber se desta vez é mesmo a sério ou, pelo contrário, quando é que sairá a próxima versão deste sucessivo 'apertar de cinto'.
Nesta versão, a aplicação desenvolveu as funcionalidades relacionadas com a 'receita' e dizem os especialistas que não está a dar a necessária atenção ao módulo da 'despesa'. E dizem também que ainda poderemos ir por aí, ou seja, é uma espécie de pré-anúncio à boa maneira de Gates ou Jobs, da próxima versão que estará no mercado quando for necessário lançar a próxima colecção, ou a próxima gama de produtos.
Na verdade, hoje, estamos todos envolvidos neste superendividado país, e por isso temos todos que contribuir para ver se conseguimos 'salvar' o que ainda nos resta. Em Portugal, nas contas bancárias de cada um, nos rendimentos mensais de cada trabalhador...
Não é certamente por acaso o título deste post. Vamos por partes.
É possível gerir a administração pública?
É, sem dúvida. Se tivermos como membros do governo quem perceba em primeiro lugar de princípios e técnicas de gestão. Sim, gestão. Gestão financeira e orçamental, gestão de recursos humanos, gestão de organizações, gestão estratégica, todos os módulos de um curso de gestão. E não é apenas necessário que o ministro das finanças saiba de finanças públicas e de gestão financeira ou que o secretário de estado da administração pública, a essas competências, associe também as de gestão de recursos humanos ou de gestão estratégica e de organizações. Todos, mas todos, necessitavam de ter um módulo de competências básicas em gestão, desde os ministros da saúde, da educação ou do trabalho e solidariedade social (os mais despesistas, segundo os mesmos especialistas) e respectivos secretários de estado, até aos da ciência, da cultura, do ambiente (e afins) que têm sempre de lidar com os 'trocos' que sobram da gestão do Orçamento de Estado anual.
Sem se saber como se gere, não se pode gerir. E não é porque se sabe substantivamente da área, que se sabe gerir o orçamento, os organismos, as pessoas, e as estratégias da área ministerial que tutelam. Por isso é possível gerir a administração pública, mas é em primeiro lugar preciso ensinar (ou aprender) como é que isso se pode fazer. E isso dá muito trabalho, é um trabalho de análise orçamental, organismo a organismo, liderança a liderança, quadro de pessoal a quadro de pessoal, QUAR a QUAR, SIADAP a SIADAP. É justo que um organismo que cumpre os objectivos traçados, devidamente enquadrados orçamentalmente, e não contribuindo para o défice das contas públicas tenha o mesmo «corte», as mesmas «cativações», os mesmos «congelamentos» que outro que nada faz para cumprir o seu orçamento, não cumpre os objectivos, pede e gasta recursos ilimitadamente? Eu penso que não. Faça-se esse trabalho de análise por ministério e por organismo (e se caso for necessário, por serviço) de modo a penalizar (e gerir devidamente) os incumpridores e a (pelo menos) não penalizar os que ainda tentam 'gerir' a administração.
É possível gerir na administração pública?
É. Mas isso não pode significar que todas as despesas extra-vencimentos dos funcionários, todos os processos de recrutamento de funcionários (a termo ou não), todos os contratos de tarefa não possam ser decididos responsavelmente pelos respectivos dirigentes dos organismos públicos para os quais foram nomeados como gestores tendo que ser submetidos ao aval do Ministro das Finanças. Se assim tiver de ser poderiam dispensar todos os dirigentes dos organismos públicos pois a eles não se pedem decisões nem se pode depois pedir responsabilidade por essas mesmas decisões. E isso é que é gerir.
Portanto, pode-se gerir a administração pública (ou seja, o Estado) se as pessoas nomeadas para o fazer puderem tomar as decisões necessárias para gerir a organização que dirigem, dentro dos orçamentos que necessitam (vistos ponto a ponto em sede de orçamento de estado) e assim possam ser responsabilizados por más práticas de gestão ou pelo não cumprimento dos objectivos.
É assim que se pode gerir! Mas os nomeados para dirigentes têm mesmo de poder ser gestores e poder tomar decisões. Isto parece uma verdade inquestionável, não é? Mas vão ver o que se passa na administração e depois falamos.
Em tempos como estes valia a pena a pensar nisto!
Nesta versão, a aplicação desenvolveu as funcionalidades relacionadas com a 'receita' e dizem os especialistas que não está a dar a necessária atenção ao módulo da 'despesa'. E dizem também que ainda poderemos ir por aí, ou seja, é uma espécie de pré-anúncio à boa maneira de Gates ou Jobs, da próxima versão que estará no mercado quando for necessário lançar a próxima colecção, ou a próxima gama de produtos.
Na verdade, hoje, estamos todos envolvidos neste superendividado país, e por isso temos todos que contribuir para ver se conseguimos 'salvar' o que ainda nos resta. Em Portugal, nas contas bancárias de cada um, nos rendimentos mensais de cada trabalhador...
Não é certamente por acaso o título deste post. Vamos por partes.
É possível gerir a administração pública?
É, sem dúvida. Se tivermos como membros do governo quem perceba em primeiro lugar de princípios e técnicas de gestão. Sim, gestão. Gestão financeira e orçamental, gestão de recursos humanos, gestão de organizações, gestão estratégica, todos os módulos de um curso de gestão. E não é apenas necessário que o ministro das finanças saiba de finanças públicas e de gestão financeira ou que o secretário de estado da administração pública, a essas competências, associe também as de gestão de recursos humanos ou de gestão estratégica e de organizações. Todos, mas todos, necessitavam de ter um módulo de competências básicas em gestão, desde os ministros da saúde, da educação ou do trabalho e solidariedade social (os mais despesistas, segundo os mesmos especialistas) e respectivos secretários de estado, até aos da ciência, da cultura, do ambiente (e afins) que têm sempre de lidar com os 'trocos' que sobram da gestão do Orçamento de Estado anual.
Sem se saber como se gere, não se pode gerir. E não é porque se sabe substantivamente da área, que se sabe gerir o orçamento, os organismos, as pessoas, e as estratégias da área ministerial que tutelam. Por isso é possível gerir a administração pública, mas é em primeiro lugar preciso ensinar (ou aprender) como é que isso se pode fazer. E isso dá muito trabalho, é um trabalho de análise orçamental, organismo a organismo, liderança a liderança, quadro de pessoal a quadro de pessoal, QUAR a QUAR, SIADAP a SIADAP. É justo que um organismo que cumpre os objectivos traçados, devidamente enquadrados orçamentalmente, e não contribuindo para o défice das contas públicas tenha o mesmo «corte», as mesmas «cativações», os mesmos «congelamentos» que outro que nada faz para cumprir o seu orçamento, não cumpre os objectivos, pede e gasta recursos ilimitadamente? Eu penso que não. Faça-se esse trabalho de análise por ministério e por organismo (e se caso for necessário, por serviço) de modo a penalizar (e gerir devidamente) os incumpridores e a (pelo menos) não penalizar os que ainda tentam 'gerir' a administração.
É possível gerir na administração pública?
É. Mas isso não pode significar que todas as despesas extra-vencimentos dos funcionários, todos os processos de recrutamento de funcionários (a termo ou não), todos os contratos de tarefa não possam ser decididos responsavelmente pelos respectivos dirigentes dos organismos públicos para os quais foram nomeados como gestores tendo que ser submetidos ao aval do Ministro das Finanças. Se assim tiver de ser poderiam dispensar todos os dirigentes dos organismos públicos pois a eles não se pedem decisões nem se pode depois pedir responsabilidade por essas mesmas decisões. E isso é que é gerir.
Portanto, pode-se gerir a administração pública (ou seja, o Estado) se as pessoas nomeadas para o fazer puderem tomar as decisões necessárias para gerir a organização que dirigem, dentro dos orçamentos que necessitam (vistos ponto a ponto em sede de orçamento de estado) e assim possam ser responsabilizados por más práticas de gestão ou pelo não cumprimento dos objectivos.
É assim que se pode gerir! Mas os nomeados para dirigentes têm mesmo de poder ser gestores e poder tomar decisões. Isto parece uma verdade inquestionável, não é? Mas vão ver o que se passa na administração e depois falamos.
Em tempos como estes valia a pena a pensar nisto!
2 de maio de 2010
Think 2010... ou uma forma de 'mudar' as práticas dos professores
Na passada quinta-feira participei como workshoper- ou melhor como promotora de interacções entre pessoas que participavam numa sessão de formação para professores. Há quem diga que o mais necessário em Portugal é a mudança de mentalidades. Isto serviria para sair da crise, para transformar o país e o nosso quotidiano, para desenvolver projectos criativos e diferentes. É verdade, mas logo a seguir vêm os argumentos que essa tarefa é muito complexa, muito exigente, muito lenta. O que também é verdade, mas por esta razão muitas vezes nem sequer se tenta.
Ora o que se passou na semana passada, em Vila Nova de Paiva (sabem onde fica? acima de Viseu, em pleno na tão chamada interioridade, pese embora se possa lá chegar depois de quatro horas de viagem sempre por auto-estradas, partindo de Lisboa) é um excelente exemplo de como se pode fazer algo para mudar as mentalidades.
E começando exactamente pelos professores! Pelas pessoas que ensinarão as nossas crianças e jovens. Pelas pessoas que são responsáveis por cerca de 50 horas por semana de educação e socialização das nossas gerações mais jovens.
Perguntarão com certeza: mas como?
Com um projecto criativo e inovador de formação! Pondo os professores a pensar, a reflectir, a agir... E sobre temas tão diversos como arte, cultura, aprendizagem, tecnologias, desenvolvimento e progresso. Um projecto cultural e social para a escola. Um projecto de mudança de mentalidades que possa contribuir para o sucesso das aprendizagens dos alunos e para o bem-estar e bom desempenho profissional dos professores. Para saberem mais vão a Think 2010...
E não se assustem: é verdade! É possível que professores e educadores de todas as idades, de várias escolas do interior do país estejam disponíveis para pensar, reflectir, argumentar, discutir, ouvir e dizer poesia, fazer malabares e música com o corpo, discutir as tecnologias e as fobias que ainda hoje persistem em muitos contextos escolares. Assim se pode mudar a escola! Assim se podem mudar as mentalidades!
Um bem-haja João Lima e toda a equipa da autarquia e da escola que possibilitou este projecto. E, mais uma vez, muito obrigada por ter tido o privilégio de assistir e participar neste importante movimento de mudança.
Ora o que se passou na semana passada, em Vila Nova de Paiva (sabem onde fica? acima de Viseu, em pleno na tão chamada interioridade, pese embora se possa lá chegar depois de quatro horas de viagem sempre por auto-estradas, partindo de Lisboa) é um excelente exemplo de como se pode fazer algo para mudar as mentalidades.
E começando exactamente pelos professores! Pelas pessoas que ensinarão as nossas crianças e jovens. Pelas pessoas que são responsáveis por cerca de 50 horas por semana de educação e socialização das nossas gerações mais jovens.
Perguntarão com certeza: mas como?
Com um projecto criativo e inovador de formação! Pondo os professores a pensar, a reflectir, a agir... E sobre temas tão diversos como arte, cultura, aprendizagem, tecnologias, desenvolvimento e progresso. Um projecto cultural e social para a escola. Um projecto de mudança de mentalidades que possa contribuir para o sucesso das aprendizagens dos alunos e para o bem-estar e bom desempenho profissional dos professores. Para saberem mais vão a Think 2010...
E não se assustem: é verdade! É possível que professores e educadores de todas as idades, de várias escolas do interior do país estejam disponíveis para pensar, reflectir, argumentar, discutir, ouvir e dizer poesia, fazer malabares e música com o corpo, discutir as tecnologias e as fobias que ainda hoje persistem em muitos contextos escolares. Assim se pode mudar a escola! Assim se podem mudar as mentalidades!
Um bem-haja João Lima e toda a equipa da autarquia e da escola que possibilitou este projecto. E, mais uma vez, muito obrigada por ter tido o privilégio de assistir e participar neste importante movimento de mudança.
10 de janeiro de 2010
As auto-estradas e as bermas das estradas
Aproveito esta primeira mensagem de 2010 para desejar votos de bom ano. E aproveito também algumas das ideias recolhidas durante a época festiva para o meu primeiro post do ano.
Discute-se com grande veemência, actualmente, a necessidade de Portugal investir em grandes obras públicas. De um lado os seus defensores admitem que a sua necessidade prende-se com a situação de emergência no que se refere à criação de emprego, e do outro, os opositores afirmam que as mesmas obras são desnecessárias neste momento, acarretando uma despesa excessiva para as possibilidades das finanças públicas. Eu sou uma progressista (por princípio de vida)!
Julgo indispensável termos acesso à utilização do TGV, de um novo aeroporto internacional e de um conjunto de estradas seguras, qualificadas e que permitam a redução das situações de exclusão e desigualdade de um conjunto de populações que por terem a sua localização geográfica em determinados pontos de país são penalizados no acesso à informação, à cultura, à educação, aos cuidados de saúde, etc.
Por isso não faço parte dos opositores aos projectos de investimento em grandes obras públicas, mas temos de conseguir conciliar de modo politicamente inteligente, arquitectonicamente apropriado e socialmente justo a intervenção neste domínio, bom como no ordenamento do território e na gestão quotidiana das cidades e do espaço público.
Gerir o espaço público - nos seus diferentes níveis: nacional, regional, local - é uma tarefa fundamental e que se reflecte nos adjectivos que podem qualificar o nosso país. Sujo, desordenado, inseguro, feio. Ou limpo, organizado, seguro, lindo. Não se trata apenas da escolha das palavras, trata-se sim de um projecto de vida colectiva.
Por isso é preciso dar atenção à construção de auto-estradas, aeroportos, TGV, etc., e em simultâneo aos canteiros, às bermas das estradas nacionais, regionais e das sub-redes rodoviárias locais, às rotundas, aos jardins, às praças, às ruas, às vielas e aos cantos das nossas aldeias, vilas e cidades.
Tive oportunidade de viajar um pouco por uma das nossas regiões nestes dias de descanso entre o Natal e a passagem de ano e foi isso que encontrei. Grandes investimentos bem tratados, arranjados e limpos concomitantes com ruas sujas, flores mortas ou em agonia nos canteiros, rotundas sem jardins, redes de escoamento das águas pluviais a abarrotarem de lixo, casas e equipamentos públicos por pintar, por terminar, descampados em jeito de lixeiras de entulhos, jardins e praças decadentes...
Podemos nós desejar que para este ano se limpem e se arrumem estas bermas das estradas e as ruas das nossas cidades, vilas e aldeias? Eu desejo veemente que sim, e provavelmente o resultado seria muito entusiasmante pois teríámos a mesma sensação que temos sempre que entramos nas nossas próprias casas e as encontramos arrumadas, organizadas e limpas. O espaço público e colectivo não tem de ser diferente. E não tem de ser apenas diferente nos espaços acabados de estrear ou com manutenção garantida... Vamos arrumar o país ajardinando-o e limpá-lo como se das nossas casas se tratasse!
Discute-se com grande veemência, actualmente, a necessidade de Portugal investir em grandes obras públicas. De um lado os seus defensores admitem que a sua necessidade prende-se com a situação de emergência no que se refere à criação de emprego, e do outro, os opositores afirmam que as mesmas obras são desnecessárias neste momento, acarretando uma despesa excessiva para as possibilidades das finanças públicas. Eu sou uma progressista (por princípio de vida)!
Julgo indispensável termos acesso à utilização do TGV, de um novo aeroporto internacional e de um conjunto de estradas seguras, qualificadas e que permitam a redução das situações de exclusão e desigualdade de um conjunto de populações que por terem a sua localização geográfica em determinados pontos de país são penalizados no acesso à informação, à cultura, à educação, aos cuidados de saúde, etc.
Por isso não faço parte dos opositores aos projectos de investimento em grandes obras públicas, mas temos de conseguir conciliar de modo politicamente inteligente, arquitectonicamente apropriado e socialmente justo a intervenção neste domínio, bom como no ordenamento do território e na gestão quotidiana das cidades e do espaço público.
Gerir o espaço público - nos seus diferentes níveis: nacional, regional, local - é uma tarefa fundamental e que se reflecte nos adjectivos que podem qualificar o nosso país. Sujo, desordenado, inseguro, feio. Ou limpo, organizado, seguro, lindo. Não se trata apenas da escolha das palavras, trata-se sim de um projecto de vida colectiva.
Por isso é preciso dar atenção à construção de auto-estradas, aeroportos, TGV, etc., e em simultâneo aos canteiros, às bermas das estradas nacionais, regionais e das sub-redes rodoviárias locais, às rotundas, aos jardins, às praças, às ruas, às vielas e aos cantos das nossas aldeias, vilas e cidades.
Tive oportunidade de viajar um pouco por uma das nossas regiões nestes dias de descanso entre o Natal e a passagem de ano e foi isso que encontrei. Grandes investimentos bem tratados, arranjados e limpos concomitantes com ruas sujas, flores mortas ou em agonia nos canteiros, rotundas sem jardins, redes de escoamento das águas pluviais a abarrotarem de lixo, casas e equipamentos públicos por pintar, por terminar, descampados em jeito de lixeiras de entulhos, jardins e praças decadentes...
Podemos nós desejar que para este ano se limpem e se arrumem estas bermas das estradas e as ruas das nossas cidades, vilas e aldeias? Eu desejo veemente que sim, e provavelmente o resultado seria muito entusiasmante pois teríámos a mesma sensação que temos sempre que entramos nas nossas próprias casas e as encontramos arrumadas, organizadas e limpas. O espaço público e colectivo não tem de ser diferente. E não tem de ser apenas diferente nos espaços acabados de estrear ou com manutenção garantida... Vamos arrumar o país ajardinando-o e limpá-lo como se das nossas casas se tratasse!
21 de novembro de 2009
Um projecto para o futuro de Portugal
Temos assistido nos últimos tempos a uma discussão intensa no espaço mediático e, revestindo-se de outras formas, também, no espaço e opinião públicas sobre o futuro do nosso país.
Défice, Dívida, Desemprego... os D's da situação complicada que temos de gerir... são as palavras que mais se ouvem associada a esta discussão! E, consequentemente, a discussão sebastianista dos projectos de futuro para Portugal. Há até quem seja mais drástico, como o Prof. Medina Carreira e seus acólitos que prevêm e demonstram factualmente quão impossível será o futuro do nosso país... sobre esses dados em gráficos, figuras e quadros vários não se discute a manipulação estatística, mesmo que todos eles só mostrem 'planos inclinados'...
Eu não acho que o nosso país não tenha futuro! Nem acho que todas as pessoas devam sair (ou tenham de sair) para o estrangeiro em busca de soluções melhores ou mais bem pagas. Tenho sempre dedicado o melhor do meu esforço profissional e do meu saber (limitado, concerteza) ao meu país e às várias organizações onde tenho trabalhado, independentemente de vínculos, condições contratuais ou até recompensas monetárias, mas admito que poderia ter feito um percurso diferente, com maiores recompensas materiais se tivesse optado por outros contextos ou por outros desafios... será assim certamente com todos os que se dedicam às causas públicas, sociais ou científicas.
Mas, tenho um orgulho enorme desta minha dedicação e por isso penso que também posso opinar sobre o futuro do meu país.E também tenho um projecto para o futuro de Portugal!
Num recente artigo da revista Time, identifcavam-se as principais tendências de desenvolvimento das sociedades, e por consequência, dos sectores de actividade ou dinâmicas de desenvolvimento económico. São três as principais tendências: diversificação, globalização e sustentabilidade (get diversified, globalized and greener).
É neste contexto e para este horizonte que temos de dirigir os nossos esforços de desenvolvimento colectivo, seja a nível social, económico ou cultural, ou com combinações criativas entre estas três dimensões.
Ora, Portugal pode e deve dar exemplo em vários domínios, e os nossos empresários deveriam sabê-lo melhor que ninguém.
Voltemos às três tendências:
Diversificar - é dar lugar ao que é diferente, é valorizar o que é único, é assumir o valor da originalidade!
Globalizar - é abrirmo-nos aos outros e transferir conhecimento para os outros, é considerar o mundo inteiro e não apenas o limite do espaço físico que conhecemos, é ter horizontes globais, amplos, abrangentes!
Sustentar - é fazer poupança, é reciclar, é gastar menos e melhor, é valorizar o que naturalmente nos rodeia!
Arrisco dizer que isto é o que sabemos fazer melhor, embora, saibamos fazer melhor mais uns do que outros aspectos aqui elencados, mas deixo algumas pistas...
Há algum país do mundo que tem o Douro, Sintra, a paisagem alentejana, as praias algarvias, os vinhos verde, tinto, branco e moscatel, as 1001 formas de confeccionar culinariamente o bacalhau, a amêndoa e a oliveira transmontana e alentejana, as cerejas beirãs, a universidade de Coimbra, as serras e os passeios pedestres, a costa ocidental (a Sul e a Norte), o património cultural e histórico dos Descobrimentos e dos sécs. XV e XVI, as quintas, os solares, as casas rústicas, os castelos, os fortes, os faróis, os rios, as rias, o Tejo e a foz do Douro a terminarem as duas grandes cidades do país no infinito do oceano atlântico, o vinho do Porto e da Madeira, dois arquipélagos naturalmente riquíssimos como regiões autónomas, a biotecnologia, a excelência científica, etc., etc., etc....
E pessoas, com seus conhecimentos e feitos, das quais não falarei nominalmente, mas que se têm destacado nas mais variadas áreas: Literatura, Design, Moda, Ciência, Política, Direitos Humanos, Tecnologia, Educação, Desporto...
Se pensarmos na nossa densidade criativa ela é imensa e de muito valor e por isso teremos de apostar mais no triângulo das três tendências, equilibrando os vértices, consoante as regiões, as qualificações das pessoas, o investimento a fazer. A distinção das empresas portuguesas e organismos privados é públicos faz-se em todas as áreas quando se tem em atenção estas três tendências. Juntemos organização, gestão e orientação para resultados de médio prazo e teremos futuro para Portugal. Este é o meu projecto!
Défice, Dívida, Desemprego... os D's da situação complicada que temos de gerir... são as palavras que mais se ouvem associada a esta discussão! E, consequentemente, a discussão sebastianista dos projectos de futuro para Portugal. Há até quem seja mais drástico, como o Prof. Medina Carreira e seus acólitos que prevêm e demonstram factualmente quão impossível será o futuro do nosso país... sobre esses dados em gráficos, figuras e quadros vários não se discute a manipulação estatística, mesmo que todos eles só mostrem 'planos inclinados'...
Eu não acho que o nosso país não tenha futuro! Nem acho que todas as pessoas devam sair (ou tenham de sair) para o estrangeiro em busca de soluções melhores ou mais bem pagas. Tenho sempre dedicado o melhor do meu esforço profissional e do meu saber (limitado, concerteza) ao meu país e às várias organizações onde tenho trabalhado, independentemente de vínculos, condições contratuais ou até recompensas monetárias, mas admito que poderia ter feito um percurso diferente, com maiores recompensas materiais se tivesse optado por outros contextos ou por outros desafios... será assim certamente com todos os que se dedicam às causas públicas, sociais ou científicas.
Mas, tenho um orgulho enorme desta minha dedicação e por isso penso que também posso opinar sobre o futuro do meu país.E também tenho um projecto para o futuro de Portugal!
Num recente artigo da revista Time, identifcavam-se as principais tendências de desenvolvimento das sociedades, e por consequência, dos sectores de actividade ou dinâmicas de desenvolvimento económico. São três as principais tendências: diversificação, globalização e sustentabilidade (get diversified, globalized and greener).
É neste contexto e para este horizonte que temos de dirigir os nossos esforços de desenvolvimento colectivo, seja a nível social, económico ou cultural, ou com combinações criativas entre estas três dimensões.
Ora, Portugal pode e deve dar exemplo em vários domínios, e os nossos empresários deveriam sabê-lo melhor que ninguém.
Voltemos às três tendências:
Diversificar - é dar lugar ao que é diferente, é valorizar o que é único, é assumir o valor da originalidade!
Globalizar - é abrirmo-nos aos outros e transferir conhecimento para os outros, é considerar o mundo inteiro e não apenas o limite do espaço físico que conhecemos, é ter horizontes globais, amplos, abrangentes!
Sustentar - é fazer poupança, é reciclar, é gastar menos e melhor, é valorizar o que naturalmente nos rodeia!
Arrisco dizer que isto é o que sabemos fazer melhor, embora, saibamos fazer melhor mais uns do que outros aspectos aqui elencados, mas deixo algumas pistas...
Há algum país do mundo que tem o Douro, Sintra, a paisagem alentejana, as praias algarvias, os vinhos verde, tinto, branco e moscatel, as 1001 formas de confeccionar culinariamente o bacalhau, a amêndoa e a oliveira transmontana e alentejana, as cerejas beirãs, a universidade de Coimbra, as serras e os passeios pedestres, a costa ocidental (a Sul e a Norte), o património cultural e histórico dos Descobrimentos e dos sécs. XV e XVI, as quintas, os solares, as casas rústicas, os castelos, os fortes, os faróis, os rios, as rias, o Tejo e a foz do Douro a terminarem as duas grandes cidades do país no infinito do oceano atlântico, o vinho do Porto e da Madeira, dois arquipélagos naturalmente riquíssimos como regiões autónomas, a biotecnologia, a excelência científica, etc., etc., etc....
E pessoas, com seus conhecimentos e feitos, das quais não falarei nominalmente, mas que se têm destacado nas mais variadas áreas: Literatura, Design, Moda, Ciência, Política, Direitos Humanos, Tecnologia, Educação, Desporto...
Se pensarmos na nossa densidade criativa ela é imensa e de muito valor e por isso teremos de apostar mais no triângulo das três tendências, equilibrando os vértices, consoante as regiões, as qualificações das pessoas, o investimento a fazer. A distinção das empresas portuguesas e organismos privados é públicos faz-se em todas as áreas quando se tem em atenção estas três tendências. Juntemos organização, gestão e orientação para resultados de médio prazo e teremos futuro para Portugal. Este é o meu projecto!
26 de outubro de 2009
A portugalidade vista a partir de uma ex-colónia
Estive recentemente em Cabo Verde por motivos profissionais e mais uma vez (tal como já me tinha acontecido noutras visitas a PALOP) um sentimento contraditório foi-me invadindo ao longo dos dias - por um lado, um imenso orgulho por termos como língua de trabalho numa reunião oficial com mais de 7 países a língua portuguesa (ao contrário das varíadissimas vezes em que estou em reuniões onde só se fala inglês); e por outro, uma profunda tristeza pelos 'factos escondidos' por trás daquela aparente portugalidade.
Brasileiros, guineenses, são-tomenses, moçambicanos, cabo-verdianos, angolanos, timorenses falam português. Português correcto! Fonética e gramaticalmente!
Em Cabo Verde bebe-se Sagres e Super Bock, Compal e Caramulo. A Cidade Velha é de origem portuguesa. A Sé de origem portuguesa está em ruínas. O Forte de origem espanhola está impecavelmente restaurado e recuperado, com direito a visita guiada para reafirmar a história e a epopeia espanhola da conquista dos mares e das terras. De nós, portugueses, uma história sobre um bispo que 'deixou muitos filhos' passa de boca em boca entre as pessoas da vila. E riem-se os brasileiros, os guineenses, os são-tomenses, os moçambicanos, os cabo-verdianos.
O professor de história da Universidade da Praia também se ri. E a bom rir.
Até que alguém lhe deve ter dito que havia uma portuguesa... que até estava lá para dar uma conferência naquela reunião internacional, oficial... e aí: 'é portuguesa?... desculpe... mas é que o bispo deixou mesmo muitos filhos'...
Eu sei, muitos filhos que contribuiram para a mestiçagem (disse-lhe eu) um dos maiores contributos culturais, sociais e históricos que os portugueses puderam deixar... e que se revela nos traços de cada rosto de um/a cabo-verdiano/a... e que bem fica a mestiçagem... e que bom é termos trocado sangues, cores de pele, hábitos culturais, língua e linguagens... se a história foi contada com troça sobre os portugueses eu tentei dar-lhe dignidade. O Professor de História concordou!
Mas a referência a Portugal é esta... é troçista!
O Brasil é a grande referência de desenvolvimento. O Brasil luta pela língua portuguesa (mesmo que na versão pós-acordo ortográfico) mobilizando-se para que se torne língua oficial de trabalho na UNESCO e noutros fóruns de referência.
E a nós, resta-nos um punhado de pessoas que ainda pensam que os territórios africanos outrora ocupados ainda deveriam ser Portugal e tentam através de negociatas resgatar algum poder perdido, e um outro grande grupo que só lá vê um conjunto de destinos turísticos protegidos pelos resorts que não deixam ver, não deixam tocar, não deixam partilhar essa herança comum que é a mestiçagem da língua e da cultura.
Gostaria que um dia olhassem para a herança de portugalidade ultrapassando o Benfica, o Porto e o Ronaldo... ou os bispos que deixaram muitos filhos... pois acredito profundamente que podemos continuar a partilhar tanto e em tantos domínios.
Obrigada por me terem deixado partilhar convosco esse vosso mundo durante a minha estada em Cabo Verde.
Brasileiros, guineenses, são-tomenses, moçambicanos, cabo-verdianos, angolanos, timorenses falam português. Português correcto! Fonética e gramaticalmente!
Em Cabo Verde bebe-se Sagres e Super Bock, Compal e Caramulo. A Cidade Velha é de origem portuguesa. A Sé de origem portuguesa está em ruínas. O Forte de origem espanhola está impecavelmente restaurado e recuperado, com direito a visita guiada para reafirmar a história e a epopeia espanhola da conquista dos mares e das terras. De nós, portugueses, uma história sobre um bispo que 'deixou muitos filhos' passa de boca em boca entre as pessoas da vila. E riem-se os brasileiros, os guineenses, os são-tomenses, os moçambicanos, os cabo-verdianos.
O professor de história da Universidade da Praia também se ri. E a bom rir.
Até que alguém lhe deve ter dito que havia uma portuguesa... que até estava lá para dar uma conferência naquela reunião internacional, oficial... e aí: 'é portuguesa?... desculpe... mas é que o bispo deixou mesmo muitos filhos'...
Eu sei, muitos filhos que contribuiram para a mestiçagem (disse-lhe eu) um dos maiores contributos culturais, sociais e históricos que os portugueses puderam deixar... e que se revela nos traços de cada rosto de um/a cabo-verdiano/a... e que bem fica a mestiçagem... e que bom é termos trocado sangues, cores de pele, hábitos culturais, língua e linguagens... se a história foi contada com troça sobre os portugueses eu tentei dar-lhe dignidade. O Professor de História concordou!
Mas a referência a Portugal é esta... é troçista!
O Brasil é a grande referência de desenvolvimento. O Brasil luta pela língua portuguesa (mesmo que na versão pós-acordo ortográfico) mobilizando-se para que se torne língua oficial de trabalho na UNESCO e noutros fóruns de referência.
E a nós, resta-nos um punhado de pessoas que ainda pensam que os territórios africanos outrora ocupados ainda deveriam ser Portugal e tentam através de negociatas resgatar algum poder perdido, e um outro grande grupo que só lá vê um conjunto de destinos turísticos protegidos pelos resorts que não deixam ver, não deixam tocar, não deixam partilhar essa herança comum que é a mestiçagem da língua e da cultura.
Gostaria que um dia olhassem para a herança de portugalidade ultrapassando o Benfica, o Porto e o Ronaldo... ou os bispos que deixaram muitos filhos... pois acredito profundamente que podemos continuar a partilhar tanto e em tantos domínios.
Obrigada por me terem deixado partilhar convosco esse vosso mundo durante a minha estada em Cabo Verde.
28 de setembro de 2009
Obviamente, abstenho-me!
Porque é que quase 40% dos cidadãos portugueses optou ontem por não votar numa das mais importantes eleições do nosso país?
Não choveu. Não foi feriado na sexta nem hoje. Não havia propostas iguais entre os partidos. Não vivemos tempos de grande prosperidade ou tranquilidade que fazem com que as almas inquietas se tornem em almas mais descansadas.
Havia mais de uma dúzia de partidos com propostas totalmente diferentes, desde a extrema esquerda à exterma direita, e para cerca de 4 milhões de cidadãos nenhum deles refectia as suas ideias, as suas preocupações, os seus objectivos para o país.
E ontem face a um resultado eleitoral totalmente válido, confortável do ponto de vista democrático - mas também, sem dúvida - de uma enorme responsabilidade, as análises e os comentários passaram rápido sobre uma das principais tendências dos últimos sufrágios (o aumento da abstenção) para se centrarem no "imenso problema" dos cenários para a composição governamental.
Mas houve um vencedor claro, não houve? Os regimes democráticos não são por essência plurais? Não são construidos a partir da capacidade de negociação, dialogo, compreensão dos pontos de vista do outro?
Então porque é que o principal problema era saber como atingir a maioria absoluta? Não será porventura muito mais preocupante que quase metade da população de um país não queira estabelecer um compromisso ideológico, que não queira estabelecer um vínculo de representação democrática que responsabilize os eleitos pelos seus actos.
Deixo esta interrogação: que resultados surgiriam se mais de 95% dos eleitores tivessem votado nestas ou noutras eleições? "os mesmos, claro", dirão alguns... outros afirmarão "obviamente, abstenho-me".
É esta a representação democrática que temos... em Portugal e na maioria dos países desenvolvidos... felizmente existe um Obama!!
Não choveu. Não foi feriado na sexta nem hoje. Não havia propostas iguais entre os partidos. Não vivemos tempos de grande prosperidade ou tranquilidade que fazem com que as almas inquietas se tornem em almas mais descansadas.
Havia mais de uma dúzia de partidos com propostas totalmente diferentes, desde a extrema esquerda à exterma direita, e para cerca de 4 milhões de cidadãos nenhum deles refectia as suas ideias, as suas preocupações, os seus objectivos para o país.
E ontem face a um resultado eleitoral totalmente válido, confortável do ponto de vista democrático - mas também, sem dúvida - de uma enorme responsabilidade, as análises e os comentários passaram rápido sobre uma das principais tendências dos últimos sufrágios (o aumento da abstenção) para se centrarem no "imenso problema" dos cenários para a composição governamental.
Mas houve um vencedor claro, não houve? Os regimes democráticos não são por essência plurais? Não são construidos a partir da capacidade de negociação, dialogo, compreensão dos pontos de vista do outro?
Então porque é que o principal problema era saber como atingir a maioria absoluta? Não será porventura muito mais preocupante que quase metade da população de um país não queira estabelecer um compromisso ideológico, que não queira estabelecer um vínculo de representação democrática que responsabilize os eleitos pelos seus actos.
Deixo esta interrogação: que resultados surgiriam se mais de 95% dos eleitores tivessem votado nestas ou noutras eleições? "os mesmos, claro", dirão alguns... outros afirmarão "obviamente, abstenho-me".
É esta a representação democrática que temos... em Portugal e na maioria dos países desenvolvidos... felizmente existe um Obama!!
21 de setembro de 2009
A soberba das notícias más
Factos são factos. Dados são dados. E se forem quantitativos, baseados em unidades passíveis de serem contabilizadas, operacionalizadas aritmeticamente são em princípio objectivos e, até mesmo, absolutos (a não ser que se defenda teorias hiper relativistas, como as que postulam que a soma aritmética de duas mais duas unidades não totalizam quatro unidades).
Esta afirmação inicial parece esotérica se tivermos em conta alguns dos dados (factos!!) jornalísticos que surgem nos mais diversos meios de comunicação social.
Para verem até onde pode ir este erro de perspectiva trago-vos um episódio de ontem... a determinada altura num dos telejornais e num dos inúmeros rodapés que tentamos acompanhar, ao mesmo tempo que 'engolimos' a descrição oral do jornalista e vemos as imagens produzidas para as diferentes peças (tarefa de complexidade cognitiva elevada, tanto mais que muitas vezes, estes três elementos em televisão podem ser totalmente dissonantes) apareceu: "OCDE: Em 2010 prevêm-se 650 milhões de desempregados em Portugal".
Fiquei especada a ver se na próxima 'aparição' o erro factual estaria corrigido. E não era a referência à fonte... a OCDE... que estava errada, não. Nem era o ano - 2010 - o que poderia tratar-se de um erro de digitação, não. Era sim o número de desempregados - 650 milhões???!!!???? Milhões??? 650??? Em Portugal??
Qualquer aluno no final do ensino básico deveria ser capaz de inferir a partir de um dado de caracterização tão simples, como o total de população de um país, que nunca poderia vir a existir um número semelhante a seis centenas e meia de milhões de portugueses desempregados em 2010 porque não chegamos a 11 milhões.
Como é que um jornalista não faz esta inferição? Como é que não põe em causa a grandeza dos números? Como é que não incorpora outra informação para a descrição dos factos de modo a que se evitem erros como estes?
Dirão: Era apenas um rodapé! Não era, não. Era uma má notícia, tratada a meu ver com a soberba das notícias negativas, quanto pior melhor, quanto maior a grandeza em tendências negativas melhor... talvez um pouco de raciocínio pudesse ajudar a produzir melhores notícias. Com factos e unidades quantitativas cuidadosamente apresentadas!
Esta afirmação inicial parece esotérica se tivermos em conta alguns dos dados (factos!!) jornalísticos que surgem nos mais diversos meios de comunicação social.
Para verem até onde pode ir este erro de perspectiva trago-vos um episódio de ontem... a determinada altura num dos telejornais e num dos inúmeros rodapés que tentamos acompanhar, ao mesmo tempo que 'engolimos' a descrição oral do jornalista e vemos as imagens produzidas para as diferentes peças (tarefa de complexidade cognitiva elevada, tanto mais que muitas vezes, estes três elementos em televisão podem ser totalmente dissonantes) apareceu: "OCDE: Em 2010 prevêm-se 650 milhões de desempregados em Portugal".
Fiquei especada a ver se na próxima 'aparição' o erro factual estaria corrigido. E não era a referência à fonte... a OCDE... que estava errada, não. Nem era o ano - 2010 - o que poderia tratar-se de um erro de digitação, não. Era sim o número de desempregados - 650 milhões???!!!???? Milhões??? 650??? Em Portugal??
Qualquer aluno no final do ensino básico deveria ser capaz de inferir a partir de um dado de caracterização tão simples, como o total de população de um país, que nunca poderia vir a existir um número semelhante a seis centenas e meia de milhões de portugueses desempregados em 2010 porque não chegamos a 11 milhões.
Como é que um jornalista não faz esta inferição? Como é que não põe em causa a grandeza dos números? Como é que não incorpora outra informação para a descrição dos factos de modo a que se evitem erros como estes?
Dirão: Era apenas um rodapé! Não era, não. Era uma má notícia, tratada a meu ver com a soberba das notícias negativas, quanto pior melhor, quanto maior a grandeza em tendências negativas melhor... talvez um pouco de raciocínio pudesse ajudar a produzir melhores notícias. Com factos e unidades quantitativas cuidadosamente apresentadas!
20 de setembro de 2009
Desenferrujar
Este é o primeiro post de muitos que espero ver publicados neste blogue. Andei indecisa sobre o seu início. Nuns dias queria muito publicar um blogue, noutros as ansiedades normais destas coisas remetiam-me para a preguiça... 'depois não actualizarei'... 'ninguém vai ler nada'...'ninguém vai participar'...
Hoje decidi-me! Ainda não irei entrar nos temas que gostaria de dicutir neste blogue, apenas estou a desenferrujar os dedos e a dizer que estou aqui e que espero que muitos bloguers me sigam.
Até breve.
Hoje decidi-me! Ainda não irei entrar nos temas que gostaria de dicutir neste blogue, apenas estou a desenferrujar os dedos e a dizer que estou aqui e que espero que muitos bloguers me sigam.
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